quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Beleza

Foi a chuva de folhas secas na R. Dona Mariana
O pai jogando a filha pro alto
A risada que só as crianças sabem dar
Foram os pássaros brincando de voar
O beija-flor que ficou cinco segundos batendo asas na minha janela.
A borboleta amarela que cruzou meu caminho enquanto eu ia de ônibus pro trabalho
E aquele andarilho maltrapilho que dançava sozinho numa rua cinzenta de botafogo
Foi a gargalhada da Gabi
O sorriso do Pedro

É tanta beleza
Tanta beleza nesse mundo
Dá vontade de chorar
E choro.


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Terça dos abraços

Toda terça era a mesma coisa: acordava manhã pensando noite. Durante o trabalho não se concentrava. Esquecia de responder e-mails, relatórios ficavam pela metade, não conseguia escrever notas para as colunas do jornal. Ao cair da noite seu sol nascia e às 18h se iluminava por completo.

Era hora de ir ao abraço. Era hora de ir pra aula

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Pode sumir

Você é muito engraçado. De um jeito que me tira toda a vontade de rir.

Fico aqui pensando o que te faz pensar que eu aceitaria ir pra sua casa depois de tanto tempo. O que te faz imaginar que, nesse sábado que amanheceu tão azul, eu mudaria todos os meus planos para “ver um filme” com você.

Seu convite, inusitado e cheio de segundas intenções, me faz lembrar os incontáveis fins de semana que te chamei para fazer algo quando ainda éramos um casal e você ignorou. Me faz lembrar quando disse que estava com saudades e ouvi um seco “vamos resolver isso” do outro lado da linha.

Me surpreende essa incrível facilidade que você tem para passar por cima de tudo que conversamos; de tudo que senti. Entendo que você não consiga alcançar o que “tudo” significa, mas, definitivamente, não entendo sua falta de respeito. 

Uma vez, dessas em que apareceu do nada pensando que eu acharia muito legal seu convite para, em termos claros, transar com você, entre outros papinhos banais, você disse que minhas amigas deviam te odiar. Respondi que não, que eu só falava coisas boas suas, mesmo depois. 

Isso mudou agora. Toda vez que penso em você ou que você resolve aparecer, "babaca" é um adjetivo que não me sai da cabeça.


Portanto, não insista. Aliás, seria muito bom que você desaparecesse. 

Não vou sentir sua falta. Não mais.