quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Domingo

Na praça, escuta. Entre o canto dos pássaros e a dança da brisa. Entre as risadas das crianças e o craquelar das folhas secas sob os pés dos caminhantes. Escuta exatamente o que precisava ouvir: o suave silêncio da serenidade.

Pela janela

O Amor passou batendo asas pela janela. Pousou delicadamente no beiral e piou baixinho, pedindo um pouco do alpiste que o canário comia sozinho na gaiola.
Assustada com a figura desconhecida, a mulher espantou o Amor com as mãos e fechou a janela bem fechada. Impedindo, assim, que ele voltasse para importunar a paz tão segura de sua casa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Tic-tac

Bate o despertador. Bate o leite do bebê. Bate a hora. Bate o ponto. Bate relatório. Bate-cabeça. Bate-boca. Bate o ponto. Bate a papinha do bebê. Bate e dorme.
E o coração? Ainda bate?

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Receita velha

O amor talhou. Jogou pelo ralo o líquido estragado. Com um garfo empurrava pedaços subversivos. Não se sentia triste.

Maratona

Andou três minutos. 
No primeiro, não percebeu a paisagem mudar.
No segundo, sentiu cascalhos e pedras machucando a sola fina de seu pé, tão acostumado à inércia.
No terceiro, já não sentia o chão. Duas asas ruflavam pelo céu, azul. 
Voava.