segunda-feira, 29 de junho de 2015

Café bolo amor

O gosto do pão fresco lembra a primeira vez em que nos vimos. O leite quente e o café recém passado; aroma de nascer do sol.

A janela derrama luz amarela sobre a mesa e escorre pelos meus cabelos.  Deixa meus olhos um tom mais claro. Como você, que deixa tudo um tom acima.

A fumaça do bolo de fubá dança pelo ar. Às vezes, se mistura com o fio de nuvem que sobe do  chá e, entrelaçadas, giram num balé gracioso igual ao nosso.
O tilintar da colher na xícara enquanto misturo o açúcar no 
café lembra sua risada naquela tarde chuvosa. Quando dormimos juntos e soube que tudo seria diferente dali em diante.

Então, você. Com um beijo doce senta ao meu lado e rouba um gole do meu café. Deixo. Como tenho deixado você roubar outras coisas: a solidão, o cansaço, o mau-humor.  E essa sensação de que quanto mais me rouba, mais eu ganho.

Faço questão de não estragar tudo. Por isso não ligo a TV no jornal matinal nem pego o jornal que o entregador jogou ainda agora na porta. Pra que trazer o mundo pra dentro de casa se já temos tudo? 

Não. 

Apenas ligamos o rádio numa estação dessas que toca música dos anos 20 e ficamos assim: café, bolo e amor.  Pra que mais?