sábado, 24 de janeiro de 2015

Um lugar novo por ano

Certa vez li, em algum livrinho desses de “sorte do dia”, algo que dizia assim: pelo menos uma vez por ano vá a algum lugar que nunca foi. A gente costuma pensar logo em viagem quando lê uma coisa dessas e imagina mil lugares que gostaria de ir. Mas a verdade é que não é preciso ir muito longe para experimentar o novo.


A história dele começou bem antes da minha. Em 1811, quando um rapazola chamado Rodrigo de Freitas Mello e Castro comprou uma bela fazenda às margens da lagoa. Só em 1859, ao passar para as mãos de Antônio Martins Lage, é que ganhou o nome que todo mundo conhece: Parque Lage.



Durante toda minha vida ouvi histórias incríveis sobre o lugar. Sobre a piscina, os jardins, o casarão e a escola de artes. Por alguma razão, no entanto, nunca havia tido a oportunidade de vê-los com meus próprios olhos. Engraçado como as coisas são. Fui até a Argentina conhecer a Casa Rosada e, apesar de estar a alguns bairros de distância do Parque Lage, nunca tinha ido lá.

Então, mais de 200 anos depois do início de sua história (e 29 depois do início da minha), visitei, pela primeira vez, o Parque. O dia não estava azul, mas ainda assim estava lindo (ou vai ver, foi o verdor que surgiu em mim, ao explorar os jardins e a gruta, que me deu tal impressão). 





Além da natureza, a Arte está presente por toda parte. E do que mais um lugar precisa para ser incrível além de Natureza e Arte? Acabei descobrindo que ninguém menos que Marina Colasanti morou lá! (Morr-y). Incrível, três vezes incrível! (E quase perdemos esse patrimônio para o Roberto Marinho, que pensou em comprar uma parte para a TV Globo!).


Não costumo ficar tirando lição de tudo que acontece na minha vida, mas ter me permitido visitar o Parque e abandonar o “um dia eu vou”, me mostrou como perdi tempo. Um lugar como esse, pertinho de casa, de graça e pronto pra receber quem quer que seja. Quantos piqueniques poderia ter feito ou exposições poderia ter visto?  E quantas vezes eu quis um lugar tranquilo pra pensar na vida ou ler um livro e não encontrei? Pois é.


Se completar 30 anos traz uma série de reflexões, uma delas eu já resolvi. Quando quiser conhecer um lugar - e puder - não vou mais deixar para depois. O momento certo é agora. Sempre.

Um lugar novo por ano... Que tal por mês?

#listados30

sábado, 10 de janeiro de 2015

O adeus do caçador

Ganhei quando tinha 21 anos, alguns dias depois do meu aniversário. De um amigo querido que, na época, era também um dos melhores. Ele não sabe – se sabe, não foi dito por mim -, mas eu era completamente apaixonada por ele.

O Caçador de Pipas foi o primeiro presente que ganhei de alguém que roubara algo de mim. Algo não visível, mas quase palpável de tão ausente. Com tanta força que me levou também a voz e a coragem de revelar a angústia e alegria que era estar ao seu lado.


O livro, além de me proporcionar um encontro lindo e inesquecível com Amir e Hassan, me proporcionou a felicidade de receber, em mãos, o carinho de alguém que me fazia sonhar toda noite. E de sentir, mesmo que no mundo iluminado do faz de contas, um gostinho de paixão correspondida.

De lá pra cá, nove anos se passaram. Vieram outras paixões, outros presentes, algumas decepções. Mas lá estava o Caçador, o tempo todo. Na estante do quarto, sussurrando com sua voz de vento: é preciso voar.

Voei.
Quantas vezes voei.

Hoje, depois de anos empoeirados,  o Caçador voltou a trabalhar. A Pipa alçou voo e foi dar em outra vida que não sei qual porque não fiquei a espreita. Despedir-me uma vez já havia sido difícil o suficiente.


Dei a alguém a oportunidade de ouvir o que o Caçador tem a dizer. Quem quer que tenha esbarrado com ele na escada do Parque das Ruínas onde, fingindo displicência, o deixei, tenho certeza, encontrou um grande amigo. Bem maior que suas páginas, pois sua história transcende aquela escrita.

É a lembrança de uma paixão inocente de tempos universitários e que hoje reside nas memórias de um livro  que deixei tocar outra pessoa.

Dei-o com o mesmo carinho que o recebi, com um coração ainda maior e mais leve do que nove anos atrás.



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Essa foi a primeira atitude das 30 que planejo tomar até o dia 25 de março, quando me tornarei uma moçoila madura com 30 verões vividos.

Me acompanhem, vai ser divertido!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Para 2015

Pra ler ouvindo Say | John Mayer

Para você que me lê, entre todas as coisas boas que posso desejar no ano que se inicia, desejo, principalmente, que fale. Isso mesmo: que fale. 

Depois de 20 e poucos anos sendo uma garota extremamente tímida, que viveu inúmeras paixões platônicas e foi magoada uma centena de vezes porque não tinha coragem de abrir a boca e falar o que sentia no fundo do peito, posso dizer que não tem nada melhor do que falar com todas as letras, vírgulas, pausas e pontos finais o que se passa dentro de você.

A palavra é uma das armas mais poderosas da humanidade, por isso não desperdice esse dom unicamente nosso. Use-o. 

Está apaixonada pelo garoto? Se declare. Dê a você - e a ele - a chance de saber o que poderia acontecer. 

Não está mais tão afim da menina? Diga a ela. Não deixe que ela pense que você é só mais um babaca que sumiu sem dizer por quê. E seja sincero também. Não invente desculpas (ela sempre sabe quando você está mentindo). Diga que não está mais afim, que está em outra, que não quer mais. Tome a decisão ao invés de esperar que ela desista de você.

Está magoado com um amigo? Não aja como se estivesse tudo bem. Diga o que aconteceu e como se sentiu. Dê a ele a chance de lutar por você.

Está feliz? Espalhe sua alegria, compartilhe. Felicidade gera felicidade (o Profeta Gentileza que me perdoe a adaptação).

Está triste? Divida com alguém. Você nunca sabe o que outra pessoa pode fazer por você. O Ministério da Saúde comprova: um ombro bem usado pode evitar dor de estômago, dor de cabeça, depressão e até câncer.

Ah, e faz o seguinte: esquece whatsapp, inbox do facebook ou mensagem de texto. Use, além da voz, seus olhos, suas mãos, seu corpo. Falar é, acima de tudo, calor humano. É sorriso, lágrima, gargalhada, abraço. É a hesitação que o aplicativo não capta quando ela diz que está com saudade de você. 

É a ansiedade que o inbox do facebook não consegue transmitir quando ele diz que adorou a noite anterior. É a expressão de tristeza nos olhos de quem lamenta estar indo embora e que a mensagem de texto não leva junto. 

Poucas coisas são tão grandiosas quanto a conversa, assim, olho no olho. Portanto, para 2015, desejo que tenha muitas, inúmeras, diversas conversas. Que sejam prazerosas, proveitosas, inesquecíveis. Que você se descubra e descubra os outros através delas.

Feliz 2015 pra todos nós!

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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tivemos nossa chance

Quando foi que eu te perdi? Você me perguntou ontem, quando me encontrou naquele Café que eu adoro, lendo um livro do Cortázar.  Levei meio segundo para entender. Você sentou-se ao meu lado e repetiu. Quando foi que eu te perdi? Pousei o livro sobre a mesa e sorri. Depois de tanto tempo? Você assentiu. E então eu respondi:

Lembra quando você sumiu pela primeira vez, logo quando começamos a nos conhecer? Eu te liguei, você não retornou. No dia seguinte mandei mensagem, você não respondeu. Depois de três dias você apareceu no WhatsApp dizendo que tinha ficado sem celular. Ali, eu perdi uma parte das minhas expectativas.

Lembra quando eu disse que queria te ver e você disse que estava ocupado, que não tinha hora pra sair do trabalho? Uma amiga me contou que você a convidou para ir num bar na mesma noite. Ali, qualquer chance que eu tinha de confiar em você se perdeu.

Lembra quando eu disse que estava com saudades? Você disse que iríamos resolver isso. Assim, como se eu estivesse dizendo que o pneu do carro tinha furado. Ali eu perdi minhas esperanças.

E, então, virei a página.

Foi engraçado o jeito como me olhou. Pareceu que eu falava uma grande novidade, como se você não tivesse feito parte da história.
Mas eu te procurei. Eu quis mudar isso.

Tarde demais, eu disse. Mas... não era pra ser, certo? Eu me apaixonei por você, você não se apaixonou por mi. Tivemos um desencontro... Acontece tanto. Não me arrependo de nada do que aconteceu entre a gente. Tivemos nossa chance.

Depois de alguns minutos nos separamos.
Voltei a ler meu livro e sua última pergunta se misturou a uma das frases do escritor poderíamos ter outra chance?

Sorri. Provavelmente, não pensei.